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Montanha Vajra - Templo do Veículo Uno
São Paulo, Sexta-Feira, 18 de Agosto de 2017

Artigos & Opiniões

Acreditando em coisas estranhas!

O ser humano é dotado de meios para perceber a representação da realidade. Tudo o que nossos sentidos captam são representações sensoriais das coisas em si, ou seja, são modos aperfeiçoados pela natureza para que nos relacionemos com o meio em que estamos e, ao mesmo tempo, possamos nos preservar.
O Budismo ensina a doutrina sobre "maya", ou seja, ilusão.
Maya consiste em tomar a representação por realidade absoluta e, mais, em conferir a essa representação uma essência, um "ser-em-si" separado de todo o resto.
Quando vejo uma cadeira, não há um ente "cadeira" separado do material que o produziu. O ente "cadeira" é uma junção do material do qual é composto (madeira, metal, plástico...), das habilidades do artesão, do operador da máquina que o produziu, do fundidor dos metais etc. Sendo assim, como fenômeno ele existe, mas como essência, realidade separada do resto, não existe.
Quando nossos sentidos nos advertem que ali vem um trem, é prudente não cruzar a linha-férrea acreditando que é só "maya", que aquele trem não tem realidade. Ele tem realidade fenomênica, é um agregado de fatores condicionados e condicionantes e, como nós também somos agregados de fatores condicionados e condicionantes, causas e efeitos manifestos no mundo fenomênico, ele terá o efeito condicionado pela junção entre sua própria entidade e a nossa entidade, ou seja, milhares de toneladas de aço e ferro em deslocamento, tendo como obstáculo alguns kilos de carne e ossos.
A ação (karma) provoca a reação (resultado kármico). Carne e ossos serão triturados por aço e ferro em deslocamento devido às próprias características condicionadas desses materiais. Para qualquer pessoa com uma boa capacidade de raciocínio, isso soará lógico e límpido, sem maiores dificuldades interpretativas.
Vamos a outro ponto.
Quando falo em transmitir um dado conhecimento, seja ele de que natureza for, é necessário que o portador desse conhecimento o detenha para poder transmiti-lo ou que, ao menos, possa fomentar a necessária pesquisa e orientá-la para a obtenção do conhecimento almejado. Então, se, por exemplo, eu quero ensinar alguém a trocar o courinho da torneira (não sei o nome técnico), tenho que saber fazê-lo, de forma que possa transmitir a necessária técnia. Da mesma maneira, terei que ter aprendido a fazer isso de algum modo, através de outra pessoa que me ensine, através de um manual (escrito por outrem), de um vídeo (gravado por outrem) etc. Isso compõe uma linha de transmissão de um dado conhecimento, mesmo que eu não saiba identificá-la.
Você sabe quem ensinou o be-a-bá à sua professora do ensino fundamental? Mas houve alguém. E quem ensinou isso à professora da sua professora? Também não, mas isso não quer dizer que ela não existiu, não é mesmo?

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(André Otávio Assis Muniz)
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